sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Matadores de Profetas (Lucas 11.45-52)

Não sou o melhor dos escritores, nem o melhor dos leitores, mas sei bem reconhecer quando estou diante de um texto veemente. E o texto de Lucas 11.45-52 é nada menos que veemente. Trata-se de uma passagem cheia de vigor e energia, sem meias palavras, embora se abra para várias reflexões diferentes.
Ao criticar duramente os intérpretes da lei, Jesus dá um recado duro aos cristãos que até hoje dão continuidade ao pecado dos homens dos primeiros séculos: o assassinato de profetas.

Respondendo a um dos intérpretes da lei, Jesus disse: "Ai de vós também, intérpretes da lei! Porque sobrecarregais os homens com fardos superiores às suas forças, mas vós mesmos nem com um dedo os tocais. (v. 46)" Jesus não se intimidava com os detentores do poder entre os judeus. Ele se impunha como autoridade máxima do universo quando precisava. E denunciava as mazelas religiosas impostas por aqueles que deveriam ser exemplo de amor e misericórdia. Os senhores da lei não se importavam em estabelecer novas regras a cada nova leitura dos rolos da Torá. Frequentemente novos costumes eram "descobertos" e deveriam ser observados, não importava a que preço. Mas as coisas funcionavam como aquele antigo provérbio: "Faça o que eu digo, mas não o que eu faço."
É fácil sobrecarregar outras pessoas com fardos cada vez maiores. Difícil é nós mesmos tomarmos nossa cruz. E quando não tomamos nossa cruz, quando não morremos para nós mesmos, nos deleitamos em ver outros caminhando para seus sepulcros. Não nos importamos com os fardos dos outros enquanto nós mesmos não experimentarmos o peso dos nossos próprios fardos.
Quanto sangue de profetas não foi derramado literalmente por causa de regras e costumes absurdos, criados por conveniência de líderes considerados "espirituais", que nunca sujaram os pés na lama de estradas de chão, muito menos puseram as mãos no barro para construir vasos.
Quantos profetas não foram calados por imposição de líderes irresponsáveis e egoístas, que não toleram objeções nem críticas!
Mas o Senhor não deixará estes líderes impunes: "Sim, eu vos afirmo, contas serão pedidas a esta geração. (v. 51)"
O Evangelho de Jesus é simples. Desfrutar dele requer simplesmente o desejo de ser transformado à medida da Sua estatura. Vestimentas, estilos musicais, protocolos, liturgia, nada disso poderá levar o homem a Deus. É apenas quando nos desvencilhamos destas armadilhas disfarçadas de "doutrina", que experimentamos qual seja a "boa, perfeita e agradável vontade de Deus.(Rm 12.2b)"

Um comentário:

Denise Malafaia Cerqueira disse...

Tô amando ler este seu diário da bíblia.
Tenho aproveitado pra rever os textos e refletir sobre alguns pontos relevantes relacionados com eles.
Com relação aos profetas, é bom lembrar que somos profetas, segundo a visão do NT, e quanta s vezes nós mesmos matamos este dom que está em nós. Porque o Senhor nos deu do Seu Espírito, e Ele precisa que cumpramos esta tarefa de profetizar. E quando nos calamos diante da necessidade de falar acerca da palavra de Deus, privamos tantos de conhecer a cerca de Deus e do Seu reino. Ai, como disse Salomão: "Sem profecia o povo se corrompe." Se não cumprimos nosso papel é como se tivéssemos morrido e conosco a palavra profética.
Que haja em nós este espírito renovado, e que nem matemos outros profetas, e nem ao profeta que existe dentro de nós